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Uma experiência inesquecível no Marrocos – parte IV – Marraquexe

Marraquexe, conhecida como cidade vermelha, é, sem dúvida, a mais turística do Marrocos. À semelhança de muitas cidades marroquinas, Marraquexe tem uma parte antiga, a Medina, correspondente à cidade primitiva, cercada de muralhas e formada por um emaranhado de ruelas e becos, nas quais desenvolvem-se os souks, e a parte nova, chamada de Ville Nouvelle, composta por bairros modernos, dentre eles Gueliz, o mais elegante deles.

Marraquexe é vibrante e cada vez mais cosmopolita. No início, é fácil estranhar a confusão de gente, carro, motocicleta, carroça, sons, cores e cheiros, mas com o passar do tempo, acostuma-se com toda essa efervencencia e a cidade contagia.

Como cidade turística que é, Marraquexe possui várias atrações. Destacamos algumas delas:

– PRAÇA JEMAA EL-FNA

A praça Djemaa El-Fna é a cara de Marraquexe. Sem a praça e sem os souks (falaremos deles mais adiante), Marraquexe seria como outra cidade qualquer. Ela é tão interessante e diferente que foi enquadrada pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Durante o dia, a praça é uma mistura de sons e confusão. Encantadores de serpentes, vendedores de água, barraquinhas de suco de laranja, de frutas secas e de castanhas, dançarinos, acrobatas, domadores de macacos, mulheres que fazem henna, lutadores de boxe, dentre outros, disputam entre si a atenção dos transeuntes. Uma loucura!

Uma dica importante: tenha sempre dinheiro trocado para dar para os artistas de rua, principalmente se tiver a intenção de fotografá-los, e tenha cuidado com os encantadores de serpente. Caso eles percebam que você está olhando demais, ainda que de longe, demonstrando interesse nas najas, não farão cerimônia para abordá-lo e colocar no seu pescoço uma cobra. Uma vez feito isso, pegam a sua máquina fotográfica, tiram fotos suas e  só a devolvem depois de você pagar alguns dirhans.

Ao entardecer, toda essa bagunça dá lugar a um verdadeiro restaurante a céu aberto. Barracas e mais barracas vão sendo montadas e vendem comida fresca e barata. É comida pra todo gosto e para todo estômago. É possível encontrar desde brochetes (espetinhos) de carne, frango e cafta até sopa de caramujo e miolo de ovelha!

Ao redor da praça, há vários restaurantes e cafés, muitos deles com terraços disputadíssimos no cair da tarde. É muito gostoso sentar em um deles e ver a praça, principalmente no final do dia, quando ela se transforma. O pôr do sol visto desses terraços também é uma atração a parte. Tivemos essa experiência no Le Grand Balcon du Café Glacier. Valeu muito a pena!

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– PALÁCIO EL-BADI

O palácio El-Badi foi construído no século XVI pelo sultão saadiano Ahmed el-Mansour, com a intenção de consolidar o seu poder e anular as dinastias anteriores. Dizem que a construção demorou 25 anos para ser finalizada e necessitou de um exército de operários. Ganhou o nome de “incomparável” (El-Badi) e tornou-se uma referência arquitetônica no mundo muçulmano. Mármores italianos, ouro do Sudão e madeira da Índia faziam parte da decoração, até que o sultão Moulay Ismail levou grande parte dessa riqueza para construir o seu próprio palácio na cidade de Meknès. Não obstante, a enorme construção continua a impressionar. Segundo informações, em setembro, o palácio sedia o Festival Internacional de Cinema. Do andar superior, é possível ter uma visão panorâmica da Medina. Várias cegonhas gigantescas fazem ninhos no alto dos muros que rodeiam a construção.

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-PALÁCIO BAHIA

O palácio Bahia foi construído no século XIX por Bou Ahmed, ex-escravo de Moulay Hassan que ascendeu na vida. Dizem que ele vivia ali com quatro esposas, vinte e quatro concubinas e muitas crianças. A preferida chamava-se Bahia. A construção é composta por várias salas, o harem e um jardim com laranjeiras, limoeiros, bananeiras, jasmineiros e tamareiras. Os tetos são ricos em detalhes.

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– TUMBAS SAADIANAS

Trata-se de um mausoléu construído no final do século XVI por Ahmed el Mansour. Ali foram enterrados os reis saadianos. Um século depois, Moulay Ismail construiu um muro em volta do cemitério, o que fez com que ele fosse abandonado e esquecido, até ser descoberto pelos franceses em 1917. O mausoléu possui várias koubbas, com destaque para a primeira, que guarda a tumba de Ahmed el Mansour. Ele foi enterrado no saguão central cercado por seus filhos.

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– MAISON DE LA PHOTOGRAPHIE

Quem curte fotografia não pode deixar de dar uma passada no museu da fotografia. Trata-se de uma galeria onde ficam expostas fotografias de várias partes do Marrocos, de sua gente e de sua cultura. É bem bonito. O museu conta com um restaurante no terraço e uma vista privilegiada da Medina.

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– MESQUITA KOUTUBIA

A mesquita Koutobia é o principal marco de Marraquexe, possuindo um minarete de 70m de altura. Foi construída pelo sultão Yacoub Al Mansour. Localiza-se na avenida Mohammed V, próximo à praça Djemaa el-Fna e pode ser vista de diversos pontos da cidade. A entrada é proibida para não muçulmanos. Diz a lenda que uma das esferas douradas, que ficam no topo do minarete, foi feita com as jóias de uma das esposas de Yacoub Al Mansour como castigo por ter quebrado o jejum durante o Ramadã – mês sagrado dos muçulmanos, em que eles praticam o seu jejum ritual, o quarto dos cinco pilares do Islã (arkan al-Islam).

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-MEDERSA BEN YOUSSEF

É uma das maiores e mais belas escolas corânicas do mundo árabe, onde os estudantes memorizavam o Alcorão. Foi fundada pelo sultão Abu el Hassan no século XIV. O edifício é todo feito de madeira de cedro, com fino estuque trabalhado, mármore e zellij (azulejos coloridos). A medersa foi construída para abrigar mais de 900 alunos em aproximadamente 150 celas espartanas. Há numerosas inscrições em reboco e zellij, das quais a mais comum é a invocação bismillah: “Em nome de Alá, o piedoso, o misericordioso”. O ingresso para entrar na Medersa dá direito à visitação no Museu de Marraquexe.

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– MUSEU DE MARRAQUEXE

Está localizado em um palácio do século XIX, próximo à Medersa Ben  Youssef. A visita vale mais pelo seu espaço e arquitetura do que pelo que está exposto.

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Tomar um chá de menta no café que fica no pátio de entrada para o museu é uma boa pedida, ainda mais acompanhado dos doces marroquinos. Uma delícia! Ótima pausa no dia!

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– JARDIM MAJORELLE

Criado por Jacques Majorelle, o jardim ficou abandonado depois de sua morte sendo adquirido e restaurado pelo estilista francês Yves Saint Laurent. Possui inúmeras espécies de plantas com destaque para as palmeiras, para os bambus e para os cactos. Numa das extremidades do jardim há um memorial em homenagem ao estilista francês. Dentro há também um museu que exibe alguns objetos de arte marroquina e outros do acervo de criação do estilista. O local conta com lojinhas e um café.

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Para quem visita o jardim, uma dica boa é dar uma paradinha na lanchonete de esquina que fica bem em frente. Serve coisas gostosas e saudáveis. Além de ser uma forma de fugir um pouco da comida tradicional marroquina.

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– JARDIM DE LA MENARA

O jardim é formado por ciprestes e cercado por um bosque de oliveiras. Possui um pavilhão, construído por Mohammed IV, que é voltado para uma grande bacia de água. Esperávamos mais dessa atração.

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– PASSEIO DE CALECHE

Em Marraquexe, um passeio bastante disputado e indicado é o de caleches. As carruagens ficam estacionadas atrás da Mesquita Koutobia, próximas à praça Djemaa el-Fna. É possível contratar vários tipos de passeios: visita aos jardins da cidade, um circuito em torno das muralhas e portões da medina ou uma volta por alguns pontos da cidade com parada no curtume, dentre outros. Enfim, você escolhe onde ir e o que ver. O problema é que aqui você precisa contar também com um pouco de sorte. Por que falamos isso? Porque a nossa intenção quando contratamos o passeio era fazer o indicadíssimo passeio pela muralha da medina e seus portões, com algumas paradas para fotos. Apesar de termos explicado isso para o cocheiro, inclusive mostrando em um mapa, ele nos levou em locais diversos, os quais, de uma certa forma, lhe permitiriam conseguir alguma comissão caso comprássemos algo. Foi bastante decepcionante por este fato. No entanto, mesmo que para nós não tenha sido como esperávamos, achamos interessante incluir o passeio no roteiro da viagem. Até porque, conversamos com outras pessoas que contrataram as caleches e amaram o passeio. Sem dúvida é uma forma de passear pela cidade de um jeito diferente. Foi um azar nosso! Boa sorte na sua vez!

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– ASSISTIR AO PÔR DO SOL NO TERRAÇO DE ALGUM CAFÉ DA PRAÇA JEMAA EL-FNA

Assistir ao pôr do sol no terraço de um dos vários cafés situados ao redor da praça Djemaa el Fna é uma atração disputadíssima e que vale a pena. É muito bonito ver o sol descendo atrás da Mesquita Koutobia e, ao mesmo tempo, a praça se transformando, dando lugar às várias barracas de comida. Chegue cedo para conseguir um lugar próximo aos alambrados.

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– SOUKS

Os souks de Marraquexe são uma loucura para os sentidos. Estão espalhados pelas ruelas da medina e são formados por uma mistura de gente, cores, cheiros, sons, luzes… Ficar perdido é quase certo. Nos souks se vende de tudo. É possível comprar especiarias e temperos a preços bem acessíveis, como é o caso do açafrão. Ras el Hanout é o sabor mais exótico do Marrocos, formado por uma mistura de 27 temperos. As bandejas, os bules e os copinhos de chá são uma lembrança bem típica para se trazer de lá. O mesmo pode se dizer da Mão de Fátima (símbolo de boa sorte no Marrocos), das luminárias, das babouches (chinelos típicos), das pacheminas, das panelas de tajine e do óleo de argan.

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-CURTUMES

É onde onde couro, fios de lã e seda são tingidos para a confecção de tapetes. O curtume mais famoso é o localizado na cidade e Fes. O de Marraquexe é bem pequeno, mas já dá uma ideia de como funciona. O cheiro é bem desagradável, tanto que antes de entrar, são oferecidos ramalhetes de hortelã para aliviar o odor. Se você for alérgico a pelos de animais é bom evitar a visita.

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Além das atrações acima, três restaurantes merecem destaque:

Café Árabe (www.cafearabe.com): está localizado dentro da medina. Especializado em comida italiana e marroquina. Serve bebidas alcoólicas. Atendimento muito atencioso. O terraço é uma delícia!

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Kui Zin: também está localizado dentro da Medina. A comida é deliciosa e o preço muito bom. Não serve bebida alcoólica.

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Terrasse des Épices (www.terrassedesepices.com): também está localizado dentro da medina. Ambiente agradabilíssimo! Atendimento excelente! Comida marroquina muito boa! Não serve bebida alcoólica.

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Bistrô Thai: situado em Gueliz, parte nova da cidade. Ambiente muito agradável. Atendimento muito bom! Comida thailandesa maravilhosa! Tem música ao vivo. Vende bebida alcoólica.